Empréstimo para pagar dívidas vale a pena? Pare de cavar
Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 10 min
Empréstimo para pagar dívidas, rotativo, parcelar a fatura e cheque especial: as portas por onde a dívida cresce e as 3 condições para uma troca valer.
- Primeiro, parar de cavar
- Para sair das dívidas, não fazer dívida nova é prioridade, diz o Banco Central
- Rotativo
- Uns 15% ao mês, na média: cada R$ 100 viram uns R$ 115. E só dura até a fatura seguinte
- Parcelar a fatura
- Juros menores, uns 9% ao mês, na média. Só fecha a porta se a parcela cabe no mês
- Cheque especial
- Limite não é dinheiro seu: juros de até 8% ao mês. Peça para baixar ou zerar
- Trocar uma dívida por outra
- Só se o custo total for menor, a parcela couber sem tirar do básico e a dívida velha fechar no mesmo dia
Primeiro, largar a pá
Cheio de dívidas, sem saber por onde começar? Tem saída, em passos. O primeiro é largar a pá.
A Cláudia ganha R$ 2.600 e cria dois filhos. Deve o cartão, um empréstimo, a luz e uma loja. No mês passado, não comprou nada grande, e o cartão foi de R$ 2.560 para R$ 3.200: R$ 384 de juros, R$ 16 de imposto e R$ 240 de compras que o salário não cobriu.
O Banco Central diz: não fazer dívida nova é prioridade.
Nesta aula, você vê as portas por onde a dívida entra, e como fechar três.
A porta do rotativo
A primeira porta é a mais cara: o rotativo. Quando você paga só uma parte da fatura, o resto vira empréstimo. Uns 15% ao mês, na média do Banco Central: cada R$ 100 viram uns R$ 115.
Nos R$ 2.560 da Cláudia, foram R$ 384 em um mês. Mais que a parcela do empréstimo.
E a lei põe um teto: juros e taxas, somados, não passam do valor da dívida. No máximo, ela dobra.
Só que o teto vale para cada dívida. Se sobrar fatura sem pagar de novo, começa outra dívida, com outro teto.
Parcelar a fatura
E o rotativo só dura até a fatura seguinte. O que a Cláudia deixou no rotativo no mês passado não pode ficar de novo: nesta fatura, ou ela paga, ou vira parcelamento. O banco avisa, e a fatura mostra as opções.
Parcelado, os juros são menores: uns 9% ao mês, na média. Os R$ 3.200 em 12 vezes dão uns R$ 453.
Só que sobram R$ 250 para as dívidas, e a parcela do empréstimo já passa disso. Parcela que não cabe vira atraso.
Parcelar só fecha a porta se a parcela cabe.
O cheque especial e o limite
Uma porta mais quieta: o cheque especial. É um limite que vira empréstimo sem você pedir, quando a conta fica no negativo, com juros de até 8% ao mês.
O saldo do aplicativo pode somar esse limite: parece dinheiro, e não é. O seu é o saldo sem o limite.
A Cláudia tem R$ 500 de cheque especial, sem usar. Um mês usando tudo: uns R$ 37.
Limite não é dinheiro seu. Peça para baixar o do cheque especial e o do cartão. Para aumentar, o banco precisa do seu sim, a cada vez.
Empréstimo para pagar empréstimo
A porta que parece saída: empréstimo para pagar empréstimo.
A oferta: o banco quita os R$ 4.000 que faltam do empréstimo da Cláudia e dá R$ 1.000 na mão. É um empréstimo novo, de R$ 5.000, em 24 vezes de uns R$ 414. A parcela sobe. No total, com os juros médios, uns R$ 3.000 a mais, para ter R$ 1.000 hoje.
Cuidado com duas frases. Crédito sem consultar o seu nome: prometer assim é proibido. Taxa para liberar o dinheiro: é golpe.
Quando trocar faz sentido
Então, nunca trocar uma dívida por outra? Às vezes, trocar a cara por uma mais barata faz sentido. Você pode pedir ao seu banco, ou levar a dívida do cartão ou do cheque especial para outro banco, sem pagar pela transferência.
Mas só com três condições. Primeira: o custo total é menor. Compare o total a pagar, e não só a parcela. Segunda: a parcela cabe no mês, sem tirar do básico. Terceira: a porta velha fecha no mesmo dia. Senão, você fica com duas dívidas.
Fechar hoje
Fechar a porta é uma ação de hoje, não uma promessa.
A Cláudia fechou três. O cartão, guardado: saiu do celular, e ela pediu para baixar o limite. O cheque especial, zerado, antes de precisar. E nada de empréstimo para pagar outro: nem com troco, nem com oferta sem consulta.
Fechar não apaga a dívida. Os R$ 3.200 continuam lá, com os juros. Mas agora não crescem por compra nova.
Se faltar para o básico, não abra outra porta. Primeiro o básico. Se a conta não fechar, peça ajuda no Procon ou na Defensoria Pública.
Perguntas frequentes
Vale a pena pegar empréstimo para pagar dívidas?
Só com três condições: o custo total é menor (compare o total a pagar, não só a parcela), a parcela cabe no mês sem tirar do básico, e a dívida velha fecha no mesmo dia. Senão, você fica com duas dívidas. Renovar o empréstimo para levar um troco é dívida nova: no exemplo da aula, R$ 1.000 na mão custam uns R$ 3.000 a mais no total.
Parcelar a fatura do cartão vale a pena?
Os juros são menores que os do rotativo: uns 9% ao mês, na média, contra uns 15%. Mas só vale se a parcela cabe no seu mês: parcela que não cabe vira atraso. E o rotativo só dura até a fatura seguinte: depois, ou você paga, ou vira parcelamento.
Como cancelar o cheque especial?
Peça ao banco para zerar ou baixar o limite, de preferência antes de precisar. Para aumentar o limite, o banco precisa do seu sim, a cada vez. E, no aplicativo, olhe o saldo sem o limite: só esse é dinheiro seu.
Como diminuir o limite do cartão de crédito?
Peça ao banco. No cartão, ele tem até 2 dias úteis para reduzir o limite. E, para aumentar de novo, precisa do seu sim.
O que é portabilidade de dívida?
É levar a dívida para outro banco, sem pagar pela transferência. Vale também para o cheque especial e o saldo da fatura do cartão. Só faz sentido se o custo total for menor, a parcela couber e a dívida antiga fechar no mesmo dia.
Empréstimo sem consulta ao Serasa é confiável?
Não. Prometer crédito sem consultar o seu nome é proibido. E, se pedirem uma taxa para liberar o dinheiro, é golpe.
Fontes oficiais
- Resolução CMN nº 4.549/2017 (o rotativo só até a fatura seguinte; depois, parcelamento em condições mais vantajosas) (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil)
- Resolução CMN nº 5.112/2023 (o teto de juros e encargos no rotativo e no parcelamento da fatura) (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil)
- Lei nº 14.690/2023, art. 28 (juros e encargos do cartão não passam do valor original da dívida) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Sem acordo com bancos, CMN limita juros do rotativo a 100% da dívida (Agência Brasil (EBC))
- Resolução CMN nº 4.765/2019 (cheque especial: teto de 8% ao mês; limite e aumento só com autorização) (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil)
- Resolução BCB nº 96/2021, com a redação da Resolução BCB nº 365/2023 (a fatura, o pagamento obrigatório e o limite do cartão) (Banco Central do Brasil)
- Resolução CMN nº 5.057/2022 (portabilidade de crédito, inclusive do cheque especial e do saldo da fatura) (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil)
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), arts. 52, 54-C e 54-D (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Taxa média de juros, pessoa física: cartão de crédito rotativo (SGS 25477) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: cartão de crédito parcelado (SGS 25478) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: cheque especial (SGS 25463) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: crédito pessoal não consignado (SGS 25464) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: crédito pessoal vinculado à composição de dívidas (SGS 25465) (Banco Central do Brasil)
- Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais (módulo 3: não fazer novas dívidas; renegociar) (Banco Central do Brasil (Cidadania Financeira))
- Guia do Cartão de Crédito (Fundação Procon-SP)
- Lei nº 10.820/2003 (consignado e cartão de crédito consignado) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Cartão de crédito consignado: informação adequada «versus» abusividade (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios)
- Febraban alerta para o golpe do falso empréstimo (Febraban)
- Procon Jundiaí orienta novas regras para cheque especial (Procon Jundiaí)
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