Como organizar as dívidas: a lista e o que vem primeiro
Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 10 min
Como organizar as dívidas: seis perguntas para cada uma, por que R$ 5.000 não são iguais, o que acontece se não pagar e onde achar as esquecidas.
- Seis perguntas
- Para quem devo, quanto falta, a parcela, se está atrasada, os juros e se tem garantia
- Saldo e parcela
- O saldo é o tamanho da dívida; a parcela é o que sai do mês. Anote os dois
- Juros de um mês em R$ 5.000
- Rotativo do cartão, uns R$ 750 · empréstimo pessoal, uns R$ 320 · consignado, uns R$ 105 (médias do Banco Central, julho de 2026)
- Três etiquetas
- Urgente: pode tirar o básico, um bem ou a liberdade · Cara: cresce mais rápido · Pode esperar: o resto, para negociar depois
- Onde achar as esquecidas
- Registrato, do Banco Central, para bancos e financeiras; os birôs de crédito, de graça; e os papéis de casa
Tudo na mesa
Quando a dívida aperta, dá vontade de não olhar. Você não está só. Em abril de 2026, metade dos adultos estava com alguma dívida atrasada no nome. E dá para sair, um passo de cada vez.
Pense na Cláudia: auxiliar de enfermagem, dois filhos, R$ 2.600 por mês. O aluguel está em dia. Mas deve no cartão, num empréstimo, na luz e num crediário. Somando, R$ 8.380.
Nesta aula, você vê como fazer o mesmo: pôr todas as dívidas na mesa, montar o mapa delas e saber qual vem primeiro.
Seis perguntas para cada dívida
Para cada dívida, a Cláudia respondeu seis perguntas. Para quem eu devo? Quanto falta pagar? Quanto é a parcela? Está atrasada? Quais são os juros, ou, pelo menos, que tipo de dívida é? E tem garantia: um bem que o credor pode tomar, como uma moto ou uma casa?
Repare: saldo e parcela são coisas diferentes. No empréstimo, faltam R$ 4.000: esse é o saldo, o tamanho da dívida. A parcela é R$ 380: é o que sai do mês.
Anote os dois.
R$ 5.000 não são iguais
Agora, uma coisa que pouca gente percebe. R$ 5.000 de dívida não são iguais a outros R$ 5.000.
Veja os juros de um mês. São as médias do Banco Central, de julho de 2026. No rotativo do cartão, quando a fatura não é paga inteira, passam de 15%. Uns R$ 750. No empréstimo pessoal, uns R$ 320. No consignado, descontado do salário, uns R$ 105.
A dívida cara é a que cresce mais rápido, como o rotativo e o cheque especial. A taxa da sua está na fatura e no contrato.
E se eu não pagar?
Juros não são tudo. Pergunte também: o que acontece se eu não pagar?
A luz atrasada pode ser cortada, com um aviso por escrito 15 dias antes. O aluguel atrasado pode virar despejo. A moto financiada tem juros baixos, uns 2% ao mês. Mas ela é a garantia. O atraso pode levar a moto. E a pensão alimentícia é a única dívida que pode dar prisão.
No cartão, no empréstimo e no crediário, o atraso traz juros, multa, cobrança e o nome sujo, no cadastro de devedores. Pesa, mas não é corte nem despejo.
Três etiquetas
Com juros e consequências, cada dívida ganha uma etiqueta. Urgente: a que pode tirar o básico, um bem ou a liberdade, como a luz ou o aluguel atrasados. Cara: a que cresce mais rápido, com juros altos, como o rotativo e o cheque especial. Pode esperar: o resto, para negociar depois.
Atenção: pode esperar não é parar de pagar. O que está em dia continua em dia. É só o lugar na fila: essa dívida vem depois das urgentes e das caras.
As que você esqueceu
E se você não lembra de todas? Tem onde olhar, de graça.
No Registrato, do Banco Central, aparecem as dívidas com bancos e financeiras, como cartão e empréstimo. Para entrar, a conta gov.br precisa estar no nível prata ou ouro. O app gov.br mostra qual é o seu. Os birôs de crédito são as empresas que guardam o cadastro de quem deve. A lei garante consultar o seu CPF neles sem pagar.
O resto está nos papéis de casa. E cuidado: quem cobra para consultar, ou pede a senha do gov.br, não é de confiança.
Perguntas frequentes
Como organizar as dívidas?
Faça uma lista com todas e responda seis perguntas para cada uma: para quem eu devo, quanto falta pagar, quanto é a parcela, se está atrasada, quais são os juros (ou, pelo menos, que tipo de dívida é) e se tem garantia. Depois, dê a cada uma uma etiqueta: urgente, cara ou pode esperar.
O que é saldo devedor?
É quanto falta pagar: o tamanho da dívida. Não é o mesmo que a parcela, que é o que sai do seu mês. Num empréstimo com R$ 4.000 faltando e parcela de R$ 380, o saldo é R$ 4.000.
O que é o Registrato?
É um serviço do Banco Central, de graça, onde aparecem as suas dívidas com bancos e financeiras, como cartão e empréstimo. Para entrar, a conta gov.br precisa estar no nível prata ou ouro; o app gov.br mostra qual é o seu.
Como ver as minhas dívidas?
As dívidas com bancos e financeiras aparecem no Registrato, do Banco Central. Nos birôs de crédito, as empresas que guardam o cadastro de quem deve, a lei garante consultar o seu CPF sem pagar. O resto está nos papéis de casa: carnês, contas e cobranças. Quem cobra para consultar, ou pede a senha do gov.br, não é de confiança.
Qual a dívida mais cara?
A que cresce mais rápido, como o rotativo do cartão e o cheque especial. Nas médias do Banco Central de julho de 2026, os juros do rotativo passam de 15% ao mês. A taxa da sua dívida está na fatura e no contrato.
Pode esperar quer dizer parar de pagar?
Não. O que está em dia continua em dia. «Pode esperar» é só o lugar na fila: essa dívida vem depois das urgentes e das caras.
Fontes oficiais
- Registrato (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoas físicas, cartão de crédito rotativo (séries SGS 25477 e 22022) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoas físicas, cartão de crédito parcelado (SGS 25478) e aquisição de veículos (SGS 25471) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoas físicas, cheque especial (SGS 25463) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoas físicas, crédito pessoal não consignado (SGS 25464) (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoas físicas, crédito pessoal consignado (SGS 25469) (Banco Central do Brasil)
- Resolução CMN nº 4.549/2017 (o rotativo do cartão até a fatura seguinte), alterada pela Resolução CMN nº 5.112/2023 (Conselho Monetário Nacional / Banco Central do Brasil)
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), arts. 43 e 52 (Presidência da República)
- Lei nº 12.414/2011 (Cadastro Positivo), art. 5º, II (Presidência da República)
- Como resolver: principais dúvidas (corte de energia) (ANEEL)
- Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), arts. 9º, 59 e 62 (Presidência da República)
- Decreto-Lei nº 911/1969 (alienação fiduciária de bens móveis), arts. 2º e 3º (Presidência da República)
- Lei nº 9.514/1997 (alienação fiduciária de imóvel), art. 26 (Presidência da República)
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), arts. 528 e 784 (Presidência da República)
- Constituição Federal, art. 5º, LXVII (prisão civil por dívida), e art. 134 (Defensoria Pública) (Presidência da República)
- 5 em cada 10 brasileiros adultos estão inadimplentes no Brasil (abril de 2026) (Serasa (estatística))
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