Como consultar dívidas no Banco Central e negociar na prática
Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 10 min
Como consultar dívidas no Registrato, do Banco Central, e nos birôs de crédito, por onde negociar, que provas guardar e o que fazer se o nome não sair.
- Dívidas com bancos
- No Registrato, do Banco Central, de graça, com a conta gov.br no nível prata ou ouro
- Luz, aluguel, loja
- Podem não estar no Registrato: consulte o CPF nos birôs de crédito. A consulta básica é de graça
- Por onde negociar
- O próprio credor (aplicativo, site ou telefone da fatura ou do contrato), o consumidor.gov.br ou o Procon
- Guarde a prova
- Protocolo com data e hora, proposta por escrito, cada comprovante e o recibo de quitação, por pelo menos 5 anos
- Depois de quitar
- O credor tem até 5 dias úteis para tirar o seu nome do cadastro de devedores. Ninguém sério cobra para limpar o nome
Um passo de cada vez
Só de estar aqui, você já deu um passo grande. Negociar dá frio na barriga, e tudo bem. Tem solução, e a solução tem passos. Vamos junto com a Cláudia: auxiliar de enfermagem, mãe de dois. Ela deve a luz, o cartão, um crediário da loja, e paga em dia um empréstimo.
Nesta aula, a prática, em cinco passos. Descobrir o que você deve. Escolher por onde negociar. Negociar com o teto na mão. Guardar a prova. E acompanhar até o fim.
Descobrir o que você deve
Primeiro passo: descobrir o que você deve. O Banco Central tem o Registrato, de graça. Ele mostra as dívidas com bancos e financeiras: quanto falta, e se está atrasada. Para entrar, use a conta gov.br, a do aplicativo do governo, no nível prata ou ouro.
Mas a luz, o aluguel e o crediário da loja podem não estar lá. Para esses, consulte o CPF nos birôs de crédito, as empresas que guardam o cadastro de quem deve. Por exemplo: Boa Vista, Quod, Serasa, SPC Brasil. É direito seu, e a consulta básica é de graça.
Por onde negociar
Segundo passo: escolher por onde negociar. Comece pelo próprio credor: o aplicativo, o site, ou o telefone da fatura ou do contrato. A Cláudia começou pela luz, no aplicativo. Outro caminho: o consumidor.gov.br, do governo, de graça, se a empresa estiver lá. Ou o Procon. Os birôs têm sites de negociação: são empresas privadas; o Garimpar não indica nenhum.
Antes de digitar um dado, leia o endereço inteiro. No do governo, o nome termina em gov.br, e depois só vem a barra. Parecido não serve. Digite você mesmo; não clique no link da mensagem.
Com o teto na mão
Terceiro passo: negociar com o teto na mão. O teto é o máximo por mês para as dívidas, sem tirar do básico. O da Cláudia: R$ 200, o que sobra dos R$ 2.600 depois do básico e de uma folga. O acordo da luz vem primeiro: R$ 60. Sobram R$ 140 para o cartão, que cresce mais rápido.
Num exemplo inventado, o banco oferece 24 de R$ 190. Não cabe. Com mais prazo, 36 de R$ 140: cabe, mas custa R$ 480 a mais.
Peça tudo por escrito.
Guardar a prova
Quarto passo: guardar a prova. Em cada contato, anote o número do protocolo, com a data e a hora. Ele mostra que você falou com a empresa, e sobre o quê. E peça a proposta por escrito: por e-mail, no aplicativo, ou num print. O que a empresa escreve, vale.
Antes de pagar o boleto, confira quem recebe: o nome e o CNPJ, o registro da empresa, têm de ser do credor, ou de quem ele indicou por escrito.
Guarde cada comprovante e, no fim, o recibo de quitação, por pelo menos 5 anos.
Acompanhar até o fim
Quinto passo: acompanhar. Pague cada parcela em dia: o atraso pode desfazer o acordo. Quando a dívida estiver paga por inteiro, o credor tem até 5 dias úteis para tirar o seu nome do cadastro de devedores. No acordo parcelado, pergunte quando o nome sai, e peça por escrito.
Não saiu? Reclame com o protocolo na mão: primeiro na empresa, depois na ouvidoria dela. Se for banco, também no Banco Central. E, de qualquer empresa, no Procon; ou no consumidor.gov.br, se a empresa estiver lá.
E lembre: ninguém sério cobra para limpar o seu nome.
Perguntas frequentes
Como consultar dívidas no Banco Central?
Pelo Registrato, do Banco Central, de graça. Ele mostra as dívidas com bancos e financeiras: quanto falta e se está atrasada. Para entrar, use a conta gov.br, no nível prata ou ouro.
O que é o Registrato?
É um serviço gratuito do Banco Central que mostra as suas dívidas com bancos e financeiras. A conta de luz e o aluguel podem não aparecer, e o crediário da loja só aparece se for de uma financeira. Para esses, consulte o CPF nos birôs de crédito e veja os papéis de casa.
O que são birôs de crédito?
São as empresas que guardam o cadastro de quem deve, como Boa Vista, Quod, Serasa e SPC Brasil. Consultar o seu CPF neles é direito seu, e a consulta básica é de graça. Os sites de negociação deles são de empresas privadas.
O que é o consumidor.gov.br?
É um serviço do governo, de graça, para negociar ou reclamar com uma empresa, se ela estiver cadastrada lá. Antes de digitar um dado, confira o endereço: no site do governo, o nome termina em gov.br, e depois só vem a barra.
Como saber se o boleto é verdadeiro?
Antes de pagar, confira quem recebe: o nome e o CNPJ têm de ser do credor, ou de quem ele indicou por escrito. Não clique em link de mensagem: digite você mesmo o endereço da empresa.
Por quanto tempo guardar o recibo de quitação?
Por pelo menos 5 anos, junto com cada comprovante de pagamento e o protocolo de cada contato.
Fontes oficiais
- Registrato (Banco Central do Brasil)
- Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) (Banco Central do Brasil)
- Emitir Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) (gov.br / Banco Central)
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), arts. 42-A, 43, 48 e 54-B (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Lei nº 12.414/2011 (Cadastro Positivo), art. 5º (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Análise dos efeitos do Cadastro Positivo (os birôs registrados) (Banco Central do Brasil)
- Como funciona o Consumidor.gov.br (Senacon / Ministério da Justiça)
- Decreto nº 8.573/2015 (Consumidor.gov.br) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Superendividamento (Ministério da Justiça (Senacon))
- Súmula 548 do STJ (prazo para tirar o nome do cadastro depois do pagamento) (TJDFT, citando o STJ)
- Decreto nº 11.034/2022 (SAC: o protocolo e a gravação) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Resolução CMN nº 4.860/2020 (ouvidoria dos bancos) (Conselho Monetário Nacional / Banco Central)
- Reclamação contra bancos e outras instituições (Banco Central do Brasil)
- Código Civil (Lei nº 10.406/2002), arts. 206, 319 e 320 (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Golpe do Falso Boleto (Febraban)
- Febraban alerta para o golpe do falso empréstimo (Febraban)
- PROCON-TL alerta consumidores sobre golpes envolvendo falsas renegociações de dívidas (Procon de Três Lagoas (MS), Prefeitura)
- Corregedoria Nacional investiga possível esquema que burla cadastros de inadimplentes (Conselho Nacional de Justiça (CNJ))
- Lei nº 14.690/2023, art. 28 (juros e encargos do rotativo e da fatura parcelada) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), art. 528 (pensão alimentícia: o atraso pode dar prisão) (Presidência da República (planalto.gov.br))
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