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Como se organizar para pagar dívidas: o seu mês de verdade

Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 10 min

Como se organizar para pagar dívidas: some o extrato e a fatura do último mês, veja quanto faltou e descubra quanto cabe por mês para as dívidas.

O extrato mostra
O que entrou e o que saiu da conta. Não mostra quanto você deve
Sete baldes
Entrou · o básico · bem ou direito · cartão e cheque especial · outras dívidas · o resto do mês · não conta
Pagamento da fatura
Fica de fora: abra a fatura e some cada compra e os juros no seu balde. Uma coisa ou a outra, nunca as duas
Dinheiro vivo
O saque não conta; o que você gastou com ele, sim, estimado
O teto
O que sobra depois do básico, menos uma folga para o imprevisto: o máximo por mês para todas as dívidas
Ouvir a aula com voz (10 min)Ouça esta aula com voz, some o extrato do seu último mês e veja o seu mês de verdade e o teto para as dívidas. Grátis e sem cadastro.

O mês de verdade

Quando as dívidas apertam, é difícil saber por onde começar. Comece pelo seu mês, sem julgamento. A Cláudia, auxiliar de enfermagem com dois filhos, ganha R$ 2.600 e achava que sabia para onde ia o dinheiro. De cabeça, o gasto costuma parecer menor.

Nesta aula, você vê como abrir o extrato do último mês e somar cada linha num balde. No fim, você tem o seu mês de verdade, e quanto cabe nas dívidas.

Ver o extrato no aplicativo não custa nada. O extrato mostra o que entrou e o que saiu. Não mostra quanto você deve.

Sete baldes

Cada valor do extrato vai para um balde. São sete, na ordem que protege você: primeiro continuar vivendo, depois o que pode tirar a casa ou a luz, depois o que cresce mais rápido.

Entrou: salário, bico, Pix recebido. O básico: casa, comida, contas, remédio. O aluguel do mês é básico. Bem ou direito: o aluguel ou a conta atrasados, o financiamento do carro, a pensão. Cartão e cheque especial: os juros. Outras dívidas: empréstimo, crediário.

O resto do mês: o que dá para segurar. E não conta: o que só mudou de lugar.

O dinheiro vivo também conta

No extrato da Cláudia tem um saque de R$ 450. O saque vai em «não conta»: o dinheiro só foi do banco para a carteira.

O que conta é o que ela gastou com ele: feira e padaria, uns R$ 330, e o gás, R$ 120. Isso ela estima e soma no básico. O fiado do mês também entra, mesmo sem pagar ainda.

Em «não conta» vai também o Pix entre contas suas e o dinheiro guardado. E o dinheiro emprestado que caiu na conta também: não é o que entrou, é dívida.

A armadilha da fatura

Agora, a linha que engana. No extrato da Cláudia: pagamento de fatura, R$ 370. Parece tudo dívida. Não é.

Com o cartão, ela comprou comida, remédio, um lanche, um presente. E pagou juros. Se ela põe os R$ 370 inteiros em «cartão e cheque», o mercado e a farmácia somem do básico, e o mês parece mais folgado.

Então, a regra: a linha do pagamento da fatura fica de fora. Abra a fatura e some o que tem dentro, cada coisa no seu balde. Uma coisa ou a outra, nunca as duas.

Dentro da fatura

Desde julho de 2024, a fatura tem de mostrar cada compra e os juros e encargos do mês, separados. Fica na última parte, a dos detalhes.

Cada compra vai no seu balde: mercado e farmácia no básico, lanche e presente no resto do mês. Juros, multa e o IOF, um imposto sobre o crédito, vão em «cartão e cheque». Os juros do cheque especial, no extrato, também.

Duas linhas você não soma: o saldo anterior, que é dívida velha, e o pagamento recebido, que já está no extrato.

O mês da Cláudia

Somando tudo, o mês da Cláudia ficou assim. Entraram R$ 2.600. O básico levou R$ 2.350: o do extrato, o do dinheiro vivo e o do cartão. Os juros e o IOF do cartão, R$ 400. O empréstimo, R$ 380. O resto do mês, R$ 110.

O mês pediu R$ 3.240. Faltaram R$ 640. E essa diferença veio de algum lugar: foi o que a dívida do cartão cresceu. O mês fechou no cartão.

Isso não é culpa. É informação. Agora ela sabe por onde o mês escapa.

O teto e a ordem

Tirando só o básico, sobram R$ 250. Ela separa R$ 50 para o imprevisto, como um remédio. Fica o teto: R$ 200 por mês, para todas as dívidas, se ela segurar o resto do mês.

Sozinha, a parcela do empréstimo, R$ 380, já passa do teto. Por isso, negociar na ordem: primeiro, a luz atrasada, que pode ser cortada. Depois, o cartão, que mais cresce: os juros e o IOF levaram o dobro do teto. O empréstimo e o crediário atrasado podem esperar, negociando. E, enquanto negocia, o que está em dia continua sendo pago.

Perguntas frequentes

Como se organizar para pagar dívidas?

Comece pelo seu mês de verdade: abra o extrato do último mês e some cada valor num balde, do básico às dívidas. Do que entrou, tire o básico e uma pequena folga para o imprevisto: o que fica é o teto, o máximo por mês para todas as dívidas juntas. Depois, negocie na ordem: primeiro o que pode tirar a casa ou a luz, depois o que cresce mais rápido.

Como pagar dívidas ganhando pouco?

O básico vem primeiro: casa, comida, contas e remédio. As dívidas cabem no que sobra, menos uma folga. Se uma parcela passa desse teto, ela precisa ser negociada, na ordem: primeiro o que pode ser cortado, como a luz, depois o que cresce mais rápido, como o cartão. Enquanto você negocia, o que está em dia continua sendo pago.

Como entender a fatura do cartão de crédito?

Desde julho de 2024, a fatura tem de mostrar cada compra e os juros e encargos do mês, separados, na parte dos detalhes. Para saber para onde foi o dinheiro, ponha cada compra no seu lugar (mercado e farmácia no básico, por exemplo) e os juros, a multa e o IOF à parte, como custo da dívida.

O que é IOF no cartão de crédito?

É um imposto sobre o crédito. Na fatura, ele vem junto dos juros e da multa: na conta do seu mês, os três vão no custo das dívidas, não nas compras.

O que é saldo anterior na fatura?

É dívida velha, que veio da fatura passada. Na conta do mês, ele não se soma, nem o pagamento recebido, que já aparece no extrato.

O que é extrato bancário?

É o registro do que entrou e do que saiu da sua conta. Ver o extrato no aplicativo do banco não custa nada. Ele não mostra quanto você deve: a conta atrasada e o crediário atrasado não aparecem.

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Fontes oficiais

O Garimpar é um guia independente de educação financeira: não vendemos produto financeiro nem indicamos empresa. Este conteúdo é educativo e explica as regras gerais; para decisões do seu caso, confira com a instituição ou o órgão responsável.

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  3. Organizar as dívidas
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  7. O mês de verdade
  8. Negociar a dívida
  9. Negociar na prática
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