Como quitar dívidas com um plano: quanto pagar e em quanto tempo
Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 10 min
Como quitar dívidas com um plano só: o teto por mês, a fila, o que fazer quando uma dívida acaba, quanto tempo leva e o que fazer se os juros passam do teto.
- O teto
- O que sobra depois do básico, menos uma folga para o imprevisto: o máximo por mês para todas as dívidas
- A fila
- Primeiro o que pode tirar a casa ou a luz, depois o que cresce mais rápido, depois as outras, com as atrasadas na frente
- Quando uma acaba
- O dinheiro dela passa para a próxima da fila
- Quanto tempo leva
- O que falta em todas as dívidas ÷ o teto: R$ 8.380 ÷ R$ 200 dá uns 42 meses, sem juros nem desconto
- Juros maiores que o teto
- Pagando o teto, a dívida não diminui: é preciso negociar juros menores ou desconto, ou pedir ajuda
O último passo
Esta é a última aula da trilha «Sair das dívidas em 10 passos».
Nesta aula, você junta tudo num plano só: as suas dívidas, a ordem, quanto cabe por mês, o que negociar, um prazo estimado e a primeira coisa a fazer.
Vamos com a Cláudia: auxiliar de enfermagem, dois filhos, R$ 2.600 por mês. Ela deve R$ 8.380: o cartão, um empréstimo, a luz e um crediário. Um combinado honesto: o plano é uma foto de hoje, não uma promessa.
A fila, mês a mês
O plano segue a ordem que protege você. O básico vem primeiro, e não se corta. A Cláudia: entram R$ 2.600, o básico custa R$ 2.350, sobram R$ 250. Ela separa R$ 50, um quinto disso, de folga para o imprevisto. O resto, R$ 200, é o teto.
A fila: primeiro, a luz atrasada, que pode ser cortada. Depois, o cartão, que cresce mais rápido. Por último, o crediário e o empréstimo. O empréstimo, ela negocia já: a parcela passa do teto.
O segredo: quando uma dívida acaba, o dinheiro dela passa para a próxima.
Qual vem depois?
Depois das urgentes e das que crescem mais rápido, sobram as outras. Entre elas, as já atrasadas vão antes. Para o resto, existem dois jeitos honestos.
A de juros mais altos primeiro: no total, você paga menos juros. Ou a menor primeiro: você vê uma dívida acabar logo, e isso ajuda a continuar.
A aula sugere a de juros mais altos. Se os juros forem parecidos, ou você não souber, a menor vai antes. A Cláudia segue pelo crediário: é o menor, e já está atrasado. E você decide.
Quanto tempo leva?
E quanto tempo leva? A conta mais simples: some quanto falta em todas as dívidas e veja quantas vezes o teto cabe nisso. A Cláudia deve R$ 8.380. O teto dela é R$ 200 por mês. Dá uns 42 meses: uns 3 anos e meio.
Essa conta não tem juros nem desconto. Os juros esticam o prazo: com juros de 1% ao mês nos acordos, uns 55 meses. Com 2%, uns 92: mais de 7 anos. Um desconto encurta. Por isso o plano diz «uns», e nunca «em tal mês você está livre».
Quando a dívida corre mais
Uma dívida pode travar o plano. O cartão da Cláudia está no rotativo: a fatura não foi paga inteira. Ele cresce uns R$ 480 num mês, na média: mais do que o teto inteiro. Pagando R$ 200, a dívida não diminui. Aumenta.
O empréstimo está em dia, mas a parcela de R$ 380 não cabe no teto. Nos juros médios, junta uns R$ 260 por mês. Pagando R$ 200, também não diminuiria. É preciso juros menores, ou desconto.
E se nenhum acordo couber, o caminho não é cortar o básico. É pedir ajuda.
E depois?
Lembra da folga? Os R$ 50 da Cláudia ficam fora das dívidas desde o primeiro mês. O imprevisto sai dali, e não do cartão. Se ele não vier, vai ficando: R$ 600 num ano. É a reserva de emergência começando, junto com o plano.
Quando a última dívida acabar, ficam livres R$ 250 por mês. Com o que a folga juntou, eles completam um mês do básico. Depois, a reserva completa. O que ia para a dívida continua indo para você.
E, para não voltar: nenhuma dívida nova, e a fatura sempre inteira.
O plano da Cláudia
A Cláudia pôs o plano dela numa folha, na porta da geladeira. Hoje: ligar para a empresa de luz. Estabilizar: nenhuma dívida nova, e a folga separada. Negociar: tudo dentro de R$ 200 por mês. Quitar: uma de cada vez. Fora do vermelho: uns 3 anos e meio, sem contar juros. Com os juros dos acordos, mais tempo. Depois, a reserva.
Meses depois, a dívida ainda está lá. Mas parou de crescer, e ela sabe o próximo passo.
Ela não ganhou mais. Fez em outra ordem. E você também chegou até aqui.
Perguntas frequentes
Como quitar dívidas?
Junte tudo num plano só: as dívidas, a ordem, quanto cabe por mês, o que negociar e um prazo estimado. O teto é o que sobra depois do básico, menos uma folga para o imprevisto. Pague na ordem da fila e, a cada acordo fechado ou mudança na renda, refaça a conta.
Como quitar todas as dívidas?
Uma de cada vez, numa fila: primeiro o que pode tirar a casa ou a luz, depois o que cresce mais rápido, depois as outras, com as atrasadas na frente. Quando uma dívida acaba, o dinheiro dela passa para a próxima. O mês continua igual, e o plano anda mais rápido.
Quanto tempo leva para quitar as dívidas?
A conta mais simples: some quanto falta em todas as dívidas e divida pelo teto por mês. R$ 8.380 com R$ 200 por mês dão uns 42 meses. Essa conta não tem juros nem desconto: com juros de 1% ao mês nos acordos, são uns 55 meses; um desconto encurta. Por isso, é sempre uma estimativa.
Como quitar dívida de cartão de crédito?
Se o cartão está no rotativo, os juros de um mês podem passar do que você consegue pagar, e aí a dívida não diminui: aumenta. Pagar o teto todo mês não resolve. É preciso um acordo com juros menores ou desconto. Se nenhum acordo couber, o caminho não é cortar o básico: é pedir ajuda.
Como não se endividar de novo?
Nenhuma dívida nova, e a fatura sempre inteira. E guarde uma folga todo mês: o imprevisto sai dali, e não do cartão. Quando as dívidas acabarem, o que ia para elas continua indo para você, para a reserva de emergência.
Fontes oficiais
- Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais (Módulo 3, Endividamento, «Como sair das dívidas»; Módulo 2, poupar e reserva) (Banco Central do Brasil (Cidadania Financeira))
- Folder Série II: Cartão de Crédito, Utilize de Forma Consciente (Banco Central do Brasil (Departamento de Educação Financeira))
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), arts. 52 §2º, 54-A, 54-C, 104-A e 104-B (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), art. 528 (a prisão por dívida de pensão alimentícia) (Presidência da República (planalto.gov.br))
- Resolução CMN nº 4.549/2017 (financiamento do saldo da fatura), com a redação da Resolução CMN nº 5.112/2023 (Conselho Monetário Nacional / Banco Central)
- Taxa média de juros, pessoa física: cartão de crédito rotativo total (SGS 25477), % ao mês (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: cartão de crédito parcelado (SGS 25478), % ao mês (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: crédito pessoal não consignado (SGS 25464), % ao mês (Banco Central do Brasil)
- Taxa média de juros, pessoa física: cheque especial (SGS 25463), % ao mês (Banco Central do Brasil)
- Como resolver: principais dúvidas (corte de energia, parcelamento) (ANEEL)
- Emitir Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR), no Registrato / Meu BC (Banco Central do Brasil (gov.br))
- Cartilha sobre o tratamento do superendividamento do consumidor (Conselho Nacional de Justiça (CNJ))
- Superendividamento (Ministério da Justiça (Senacon))
O Garimpar é um guia independente de educação financeira: não vendemos produto financeiro nem indicamos empresa. Este conteúdo é educativo e explica as regras gerais; para decisões do seu caso, confira com a instituição ou o órgão responsável.