À vista ou parcelado? Como saber quanto custa parcelar
Por Equipe Garimpar · Atualizado em · Aula de 9 min
À vista ou parcelado? Veja quanto custa parcelar mesmo «sem juros», o que a loja pode cobrar, como pedir desconto no Pix e quando parcelar pode compensar.
- O preço de parcelar
- O total parcelado menos o preço à vista: 10 × R$ 200 = R$ 2.000, contra R$ 1.800 no Pix. São R$ 200 a mais, mesmo «sem juros»
- O que a lei manda
- A loja tem de mostrar o preço à vista e o total parcelado. Mostrar só a parcela é infração
- Desconto à vista
- Desde 2017, a loja pode cobrar preço diferente conforme o prazo ou o jeito de pagar. Não é obrigada a dar desconto, mas você pode pedir
- Se o dinheiro já está guardado
- Parcelar só compensa se o dinheiro render mais do que os juros escondidos e ficar guardado até a última parcela
- Antes de parcelar
- Some a parcela nova com as que você já paga. O limite do cartão não é renda
A parcela que cabe no bolso
Esta é a Márcia. Ela quer trocar a geladeira velha.
Na loja, o cartaz chama atenção, em letra grande: 10 vezes de R$ 200, sem juros.
Parece que cabe no bolso. Mas repare: a letra grande mostra a parcela e esconde o total.
É o mesmo truque do anúncio de preço por dia: R$ 3,99 por dia parecem pouco, mas são R$ 119,70 por mês.
Nesta aula, você vai decidir: pagar à vista ou parcelar? E vê como fazer a conta da sua compra.
O preço de parcelar
A primeira pergunta é: e à vista, quanto fica?
A Márcia perguntou, e a resposta foi: no Pix, R$ 1.800. Agora, a conta: 10 × R$ 200 dá R$ 2.000.
Parcelando, ela paga R$ 200 a mais. Mesmo com o cartaz dizendo «sem juros», essa diferença é o preço de parcelar.
A lei manda a loja mostrar o preço à vista e o total parcelado. Mostrar só a parcela, e deixar a conta para você, é infração.
O cartaz da Márcia devia mostrar o total também.
Peça desconto à vista
A Márcia só conseguiu os R$ 1.800 porque perguntou.
Desde 2017, a lei permite que a loja cobre preços diferentes conforme o prazo ou o jeito de pagar. E, se tiver desconto, a loja tem de mostrar em lugar visível.
A loja não é obrigada a dar desconto. Mas pedir não custa nada. O Banco Central recomenda: pechinche, e experimente pagar com Pix ou dinheiro.
Guarde esta frase: quanto fica à vista, no Pix?
E se o dinheiro já está guardado?
E se a Márcia já tiver os R$ 1.800 guardados? Vale parcelar e deixar o dinheiro rendendo?
Faça o teste do dinheiro guardado: imagine o dinheiro rendendo, e cada parcela saindo dele, todo mês.
Rendendo 0,5% ao mês, um pouco menos do que a poupança tem rendido, e pagando 10 parcelas de R$ 200, no fim faltariam R$ 154. À vista ganha.
Se fossem 10 de R$ 180, o mesmo preço do Pix, sobrariam R$ 51. É pouco, e só vale se o dinheiro ficar guardado de verdade.
A parcela mora nos próximos meses
Cada parcela é um pedaço do seu dinheiro dos próximos meses, que já tem dono.
Parcelas pequenas, somadas, viram uma fatura grande. E o limite do cartão não é renda.
Antes de decidir, anote as parcelas que você já paga e some com a nova. E não conte com hora extra ou bico que ainda não chegou.
Se a fatura apertar, cuidado com o pagamento mínimo. O resto vira uma dívida no rotativo do cartão, com juros entre os mais altos do mercado. Essa dívida pode chegar a dobrar.
Perguntas frequentes
Vale a pena parcelar?
Depende do preço à vista. Se o total parcelado é maior, a diferença é o preço de parcelar, mesmo com «sem juros» no cartaz. Se custa o mesmo e o dinheiro já está guardado, parcelar só compensa se ele ficar guardado, rendendo, até a última parcela. E some a parcela nova com as que você já paga, para ver se cabe.
O que diz a Lei 13.455?
É a lei de 2017 que autoriza a loja a cobrar preços diferentes conforme o prazo ou o meio de pagamento. Se a loja oferecer desconto por isso, tem de informar em local e formato visíveis. A lei permite o desconto, mas não obriga.
Como calcular os juros embutidos no parcelamento?
Compare o total parcelado com o preço à vista: a diferença é o custo de parcelar. Para ver a taxa por mês, use a Calculadora do Cidadão, do Banco Central (financiamento com prestações fixas). No exemplo de R$ 1.800 à vista ou 10 × R$ 200, a taxa escondida fica perto de 1,96% ao mês.
O que é rotativo do cartão?
É a dívida que se forma quando você paga menos que o total da fatura: o que faltou vai para o crédito rotativo, com juros entre os mais altos do mercado.
O que acontece se pagar o mínimo do cartão?
O resto da fatura vira dívida no rotativo. Pela Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida: ou seja, ela pode chegar a dobrar.
Fontes oficiais
- Lei nº 13.455/2017 (preço diferente conforme o prazo ou o meio de pagamento)
- Decreto nº 5.903/2006 (como a loja deve informar os preços)
- Lei nº 14.690/2023, art. 28 (teto dos juros do rotativo do cartão)
- Banco Central: Calculadora do Cidadão (financiamento com prestações fixas)
- Banco Central: Caderno de Educação Financeira, Conteúdo Básico
O Garimpar é um guia independente de educação financeira: não vendemos produto financeiro nem indicamos empresa. Este conteúdo é educativo e explica as regras gerais; para decisões do seu caso, confira com a instituição ou o órgão responsável.
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